STJ Unifica Entendimentos: O Que Credores Devem Saber para Otimizar Execuções
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) fixou 39 teses em recursos repetitivos no primeiro semestre de 2026, com vários impactos diretos para advogados que atuam na cobrança de créditos. Essas decisões visam padronizar a jurisprudência, tornando a execução mais previsível e, em alguns aspectos, mais eficiente para o credor.
STJ Consolida Jurisprudência: Novas Regras para Credores no Primeiro Semestre de 2026
No primeiro semestre de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou 39 entendimentos sob o rito dos recursos repetitivos. Essas teses, que orientam magistrados e tribunais em todo o país, são cruciais para a uniformidade das decisões e para a celeridade processual. Para o advogado do credor, conhecer esses precedentes é fundamental para planejar estratégias e antecipar desafios na execução de dívidas.
Impactos Diretos na Cobrança de Créditos
Diversos temas julgados pela Corte Especial e pelas Seções de Direito Privado e Público trazem implicações práticas para quem busca a satisfação de um crédito. A clareza em pontos controversos pode acelerar procedimentos e evitar surpresas.
Um dos destaques, o Tema 1.296, reafirma que a cobrança de multa diária (astreintes) por descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer exige a intimação pessoal do devedor. Isso significa que, sem essa formalidade, a multa não pode ser exigida, um detalhe que o credor deve observar rigorosamente para não perder a força coercitiva da decisão.
A busca por bens e a citação do devedor também foram abordadas. O Tema 1.338 esclarece que a citação por edital não exige o esgotamento de *todos* os meios extrajudiciais ou ofícios a empresas privadas. Basta que as tentativas de localização nos endereços dos autos e em sistemas informatizados sejam infrutíferas, dando ao juiz a prerrogativa de avaliar a suficiência das diligências. Para o credor, isso pode representar um caminho menos burocrático para avançar na citação de devedores 'sumidos'.
Ferramentas de Bloqueio e Desconsideração Patrimonial
Uma das decisões mais aguardadas pelos credores é a do Tema 1.325, que valida a reiteração automática de ordens de bloqueio via Sisbajud, a popular 'teimosinha'. Essa medida é considerada legítima e compatível com o processo, visando a efetividade da execução. O devedor, por sua vez, terá o ônus de provar impedimentos ou oferecer alternativa igualmente eficaz e menos onerosa. Essa tese reforça o poder do credor de buscar bens financeiros do devedor de forma contínua, aumentando as chances de sucesso.
Outro ponto sensível para o credor é a desconsideração da personalidade jurídica. O Tema 1.210 estabelece que, em relações civis e empresariais, a desconsideração exige comprovação efetiva de abuso – desvio de finalidade ou confusão patrimonial, conforme o artigo 50 do Código Civil. A mera ausência de bens penhoráveis ou o encerramento irregular da empresa, por si só, não são suficientes. Isso impõe ao credor a necessidade de uma investigação mais aprofundada para justificar o pedido, evitando que a medida seja banalizada.
Custos e Outras Particularidades
No que tange aos custos da execução, o Tema 1.413 define que, em execução fiscal, há condenação em honorários advocatícios mesmo que o débito seja quitado extrajudicialmente após o ajuizamento, mas antes da citação. Isso protege o credor fiscal dos custos de ajuizamento, mesmo quando o devedor se antecipa à citação formal.
Para as pessoas jurídicas que buscam gratuidade de justiça, o Tema 1.424 exige a demonstração de hipossuficiência econômica-financeira detalhada, com informações sobre ativo, passivo, patrimônio líquido e fluxo de caixa. A simples prova de inatividade ou queda de faturamento não basta. Essa decisão é importante para o credor, pois dificulta que empresas se eximam de custas sem uma prova robusta de sua real situação financeira.
Adicionalmente, o Tema 1.391 esclarece que débitos condominiais, mesmo anteriores à recuperação judicial, são extraconcursais e podem ser executados no juízo cível competente, sem se submeterem ao juízo recuperacional. Isso é uma vitória para condomínios, garantindo a celeridade na cobrança dessas dívidas.
O Que Muda na Prática?
As novas teses do STJ trazem mais segurança jurídica e, em muitos casos, ferramentas mais eficazes para o advogado do credor. A validação da 'teimosinha' e a flexibilização da citação por edital são exemplos claros de como a jurisprudência busca a efetividade da execução. Contudo, a exigência de intimação pessoal para astreintes e a rigorosidade na desconsideração da personalidade jurídica demandam atenção e prova robusta por parte do credor. A chave é conhecer cada detalhe e aplicar a estratégia mais adequada a cada caso.
Fonte: [stj.jus.br](https://www.stj.jus.br/sites/portalp/paginas/comunicacao/noticias/2026/29072026-stj-julgou-39-temas-repetitivos-no-primeiro-semestre-de-2026--confira-todas-as-teses-fixadas.aspx)
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