Sniper atinge 550 mil buscas e facilita penhora de grupos econômicos
A ferramenta de investigação patrimonial do CNJ ultrapassou meio milhão de pesquisas em um ano. Para advogados de credores, o sistema encurta o caminho na identificação de fraudes e acelera a fase de cumprimento de sentença.
O Sistema Nacional de Investigação Patrimonial e Recuperação de Ativos (Sniper) ultrapassou a marca de 550 mil pesquisas realizadas no intervalo de um ano. Operada por 24.271 juízes e servidores, a plataforma do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) unifica o acesso a bases de dados públicas para rastrear bens de devedores.
A ferramenta cruza informações da Receita Federal, Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Denatran, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Tribunal Marítimo. Em vez de despachar ofícios separados para cada órgão ou acessar sistemas isolados, o magistrado insere o número do processo e obtém um mapeamento gráfico das conexões patrimoniais do executado.
O fim da fragmentação na caça a bens
O Judiciário acumula cerca de 16,4 milhões de execuções fiscais pendentes, um gargalo motivado pela dificuldade de localizar patrimônio penhorável. A juíza Joseane Quinto Antunes, da 2ª Vara Cível do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), relata que a investigação patrimonial sofria com a fragmentação. O acesso individual a plataformas como Sisbajud, Renajud e Anacjud consumia tempo e atrasava o cumprimento de sentença.
Com a integração do Sniper à Plataforma Digital do Poder Judiciário Brasileiro (PDPJ-Br), o fluxo burocrático diminuiu. O juiz Dorotheo Barbosa Neto, coordenador do Programa Justiça 4.0, aponta que o sistema automatiza etapas complexas da investigação, entregando resultados em minutos. A centralização resolve demandas que antes exigiam meses de tramitação entre varas e ofícios.
O que isso muda para o credor
Para o advogado que atua na recuperação de crédito, o Sniper ataca direto o problema da blindagem patrimonial. A principal vantagem da ferramenta é a identificação rápida de vínculos societários e financeiros. Quando o devedor esvazia as próprias contas e transfere bens para terceiros ou empresas de fachada, o cruzamento de dados da Receita Federal (CPF, CNPJ e quadro societário) expõe a formação de grupos econômicos.
O resultado visual em gráficos facilita a fundamentação de pedidos de desconsideração da personalidade jurídica. O advogado não precisa mais montar um quebra-cabeça com dezenas de certidões diferentes para provar a confusão patrimonial ao juiz. O próprio sistema do CNJ já entrega o organograma das ligações suspeitas, evidenciando quem detém o controle real dos ativos.
Próximos passos da plataforma
Lançado em 2022 pelo Programa Justiça 4.0 — uma parceria entre CNJ e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) —, o Sniper tem conclusão da sua versão final prevista para o segundo semestre de 2026. A atualização promete incluir dados de cartórios de notas e protestos, além de liberar a análise direta de extratos bancários e informações sobre bloqueios de contas, veículos e aeronaves.
Se a promessa se concretizar, a execução de dívidas dependerá cada vez menos de diligências externas do advogado e mais da extração inteligente de dados já disponíveis no Judiciário. A questão que fica para os escritórios de cobrança é: suas petições já estão adaptadas para exigir o uso do Sniper logo no início do cumprimento de sentença?
Fonte: [jurinews.com.br](https://jurinews.com.br/destaques-ultimas/com-550-mil-buscas-em-um-ano-ferramenta-sniper-do-cnj-acelera-localizacao-e-bloqueio-de-bens-de-devedores)
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